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Tuesday, 27 de July de 2021 Rss
01 Mar

A diversidade sexual e a sala de aula

A diversidade sexual e a sala de aula
CAROL A GAROTA DINAMARQUESA

No último fim de semana, dois dos filmes que concorreram ao Oscar apresentam o tema da diversidade sexual ou, para ser mais exato, do homossexualismo, do bissexualismo e da transgeneridade. São os filmes Carol, de Todd Haynes, com belíssima atuação das atrizes Cate Blanchett e Rooney Mara, e o filme A garota dinamarquesa, de Tom Hooper, com uma interpretação brilhante do ator Eddie Redmayne, que já ganhou o Oscar de melhor ator no ano passado por sua atuação inesquecível no filme A teoria de tudo.

Coincidentemente, a revista Veja de 17 de fevereiro passado trouxe uma ousada matéria de capa, com duas lindas adolescentes expondo-se e assumindo publicamente que se relacionam com pessoas do mesmo sexo.

De acordo com a reportagem de Veja, 20% dos jovens entrevistados em uma pesquisa feita na capital gaúcha já tinham tido relações com pessoas do mesmo sexo. E outros 76% dos jovens não dão importância à orientação sexual dos outros.

Esse conjunto de fatos novos relacionados ao tema – filmes concorrentes ao Oscar, as opiniões dos atuais jovens, sem contar com a exposição do tema nas novelas da Globo, a conversão de Laerte ao mundo trans e a criação do novo programa no Canal Brasil, Estação Plural, apresentado por uma transexual, um gay e uma lésbica – aponta para uma realidade que não pode mais ser desprezada por educadores e por gestores escolares.

Quem já teve aluno homossexual ou transgênero em sala de aula sabe que não é fácil lidar com a questão da diversidade sexual. Mais do que qualquer outro tipo de preconceito – étnico, cultural, econômico, religioso e linguístico –, o preconceito sexual é um dos mais fortes no meio escolar. Quase sempre, os colegas de sala são cruéis, ostensivos e desrespeitosos. No mínimo, indiferentes.Em contrapartida, mesmo em escolas religiosas ou humanistas, os professores e a direção quase sempre ficam sem saber o que fazer e como lidar com a situação nas aulas.  Em geral, omitem-se, reforçando comportamentos negativos.

A reportagem de Veja cita iniciativas de estudantes de duas escolas de São Paulo que criaram grupos e espaços de discussão sobre o assunto e têm feito um ótimo de trabalho de conscientização com a comunidade escolar. Que bom que isso esteja ocorrendo! Quisera essa realidade se estendesse a todas as escolas do país.

Porém não é o que se verifica na reportagem publicada quase na mesma data (15/2/2016) pela Folha de S. Paulo, intitulada “Quase 20% dos alunos não quer colega de classe gay ou trans”. De acordo com pesquisa feita com estudantes da Rede Pública de ensino, esse percentual só fica atrás do grupo de bagunceiros (41,4) e dos puxa-sacos (27,8).

O MEC, por meio de iniciativas como a Base Curricular Nacional e os editais do PNLD, tem apontado claramente a necessidade de os professores e os autores didáticos abordarem o tema em suas aulas e livros, a fim de combater o preconceito. Estou plenamente de acordo com esse ponto de vista, porém sinto que não vai ser tão fácil, sobretudo nas escolas tradicionais e conservadoras, sejam ou não religiosas.

Sugiro aos professores que atuam em escolas com perfil conservador que aproveitem esta oportunidade em que o tema vem sendo amplamente exposto na mídia para também abordá-lo em suas aulas, seja explorando um gênero oral como o debate, seja os gêneros do jornal como artigo de opinião, editorial, reportagem, etc., seja com a dissertação escolar (aliás, não estranharia se esse fosse o tema de redação do próximo Enem).

Os alunos como um todo vão se sentir atualizados ao debater um tema do momento. Além disso, toda a comunidade gay e trans agradece, pois, não podemos esquecer, ela é formada por seres humanos, que têm direito ao amor, à sexualidade e à felicidade.

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