Blog do Cereja


Tuesday, 27 de July de 2021 Rss
23 Jun

A linguagem dos jovens na Internet (parte 2)

A linguagem dos jovens na Internet (parte 2)

Crédito: Thinkstock/Getty Images

Crédito: Thinkstock/Getty Images

 

Leia a segunda parte da entrevista concedida à revista Capricho pelo professor William Cereja a respeito da linguagem dos adolescentes na Internet:

CAPRICHO: Algumas “abreviações” como ‘pera aí’ no lugar de ‘espera aí’, com o tempo, podem vir a tomar o lugar da grafia correta? Já se falou sobre inclusão de novos verbetes nos dicionários… O que é necessário para uma nova palavra entrar no dicionário? Você pode, por favor, falar um pouco sobre isso?

CEREJA: Em relação à expressão “peraí”, que eu escreveria numa única palavra, talvez isso venha a acontecer, mas não é tão simples nem tão rápido. A expressão “cadê”, por exemplo, que advém de “Que é de” (o mesmo que “onde está?”), forma que ainda é usada no Nordeste brasileiro, está dicionarizada, mas é registrada como palavra de “uso informal”. Isso quer dizer que os dicionaristas reconhecem a existência e o uso dessa palavra na língua, mas ainda não a sentem plenamente adequada a todos os tipos de texto e situação.
Em princípio, os dicionaristas devem registrar todas as palavras que são utilizadas na língua, bem como todos os sentidos que elas assumem em diferentes contextos. Claro que isso é muito difícil, pois há palavras antigas que caem em desuso (os chamados arcaísmos) e outras, as gírias, que podem não durar mais do que um verão.
Quando uma equipe se reúne para criar um dicionário, são definidos previamente os critérios para a inclusão de novas palavras. O critério de permanência de uma palavra da língua é fundamental; outro critério é a frequência com que ela vem sendo utilizada por um grupo social ou por toda a sociedade…

CAPRICHO: Podemos chamar o que os adolescentes escrevem (e inventam) de neologismo?

CEREJA: Você está se referindo ao “valew” com W, ao “naum” e outras formas de grafia (risos)?
Não, não entendo como neologismos. Neologismos são palavras novas… Totalmente novas ou nascidas de outras palavras da nossa língua ou de outras línguas. As palavras escanear, formatar, por exemplo, foram durante algum tempo neologismos, pois nasceram da necessidade de nomear essas ações no universo da informática. Hoje já estão dicionarizadas e plenamente incorporadas ao uso da língua em qualquer situação social. Trinta anos antes, ninguém saberia o significado delas ou de expressões como “fazer um download”, “teclar com fulano”, “msn”, etc. Não estranharia se em breve surgisse, por exemplo, o verbo “emeiar” como forma alternativa de dizer “enviar um e-mail”. “Emeiar” seria muito mais econômico, não? (risos) Isso só depende dos falantes… Se o verbo começar a ser utilizado por todos, em breve estará no dicionário.

Deixe o seu comentário

Seu email não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados com *