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Wednesday, 20 de October de 2021 Rss
30 Jun

A linguagem dos jovens na Internet (parte 3)

A linguagem dos jovens na Internet (parte 3)

Crédito: Thinkstock/Getty Images

Crédito: Thinkstock/Getty Images

 

Leia a terceira parte da entrevista concedida à revista Capricho pelo professor William Cereja a respeito da linguagem dos adolescentes na Internet:

CAPRICHO: Você tem experiência com o ensino fundamental e médio… As provas têm problemas graves de ortografia, os adolescentes escrevem corretamente na escola ou transportam os vícios de internet pra sala de aula?

CEREJA: As provas e produções de texto sempre apresentaram problemas de ortografia, de abreviações inadequadas, de gírias, etc. Por exemplo, era e ainda é comum o aluno empregar “p/” (para), “c/” (com), “vc” (você), entre outras abreviaturas. Com o surgimento da internet, os professores se depararam com abreviaturas diferentes das convencionais ou com formas de ortografia que fogem às convenções vigentes (como é o caso do “valew”).
Por um lado, é preciso considerar os méritos dos jovens que conseguem lidar com dois sistemas de escrita, o das interações pela internet e o oficial. Por outro lado, aqueles que não conseguem lidar com essa duplicidade passam a ter muitos problemas ao escrever na escola e em outras esferas sociais.
A meu ver, o trabalho do professor não mudou muito. Só aumentou! (risos). Antes, nós lembrávamos aos alunos que, em determinados tipos de situação e de texto, certas palavras, expressões e abreviaturas eram inadequadas. Hoje temos de dizer isso e mais um pouco: que a linguagem da internet é adequada (aliás, adequadíssima) apenas na comunidade dos internautas. A mera transposição da escrita da internet para outras situações de expressão escrita é inadequada e, por isso, deve ser evitada. Portanto, trabalho dobrado para nós, professores.

CAPRICHO: Dá pra ter uma ideia se haverá mudanças na língua portuguesa nos próximos dez anos por conta do seu uso por adolescentes?

CEREJA: Claro que haverá mudanças na língua nos próximos dez anos, mas não necessariamente por causa dos adolescentes. Sem dúvida, os adolescentes, por causa de sua irreverência, inclusive linguística, ajudarão muito nas mudanças da língua, mas isso não basta. Para que neologismos, expressões e novas estruturas sintáticas sejam incorporadas à língua como um todo, é necessário que boa parte dos falantes as utilize, caso contrário essas novidades nunca deixarão de ser apenas gíria ou jargão de adolescentes.

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