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Wednesday, 20 de October de 2021 Rss
16 Jun

A linguagem dos jovens na Internet

A linguagem dos jovens na Internet

Crédito: Thinkstock/Getty Images

Crédito: Thinkstock/Getty Images

 

Leia parte de uma entrevista concedida à revista Capricho:

CAPRICHO: O adolescente de hoje faz um pior uso da língua portuguesa (criando expressões e modos de escrever nunca vistos antes), principalmente na internet, ou sempre foi assim?

CEREJA: Os jovens sempre foram acusados de falar e escrever mal a língua portuguesa, e quem os acusa geralmente são as pessoas mais velhas. Em outros países, não é diferente…
Na verdade, a língua se transforma a todo momento, pois é parte de uma sociedade e de uma cultura que estão em permanente mudança. As pessoas mais velhas, diante de gírias e expressões novas, têm a sensação de que algo está fugindo ao controle, de que os jovens estão destruindo a língua, quando na verdade ela está apenas se transformando, atendendo às necessidades de expressão dos jovens do nosso tempo.
A internet, a meu ver, não piorou o uso da língua. Pelo contrário, a comunicação digital apenas diversificou ainda mais os múltiplos usos da língua, tornando-a ainda mais rica. O importante é o jovem saber que determinados usos da língua na internet são específicos daquele contexto, e não podem ser feitos em outros contextos.

CAPRICHO: É uma moda passageira entre adolescentes escrever palavras de maneira incorreta, por exemplo “valew” em vez de “valeu”? Por que isso começou?

CEREJA: Talvez devêssemos perguntar primeiro por que o jovem emprega “valew” quando pretende comunicar a ideia de “obrigado” ou “até logo”… A língua, além de ser um instrumento de comunicação, é também um poderoso instrumento de interação social. Para o bem e para o mal… Ou seja, por meio dela as pessoas se aproximam, se identificam, se tornam amigas… mas ela também pode distanciar as pessoas, provocar preconceitos e outras formas de discriminação. Portanto, quando o jovem escreve “valew” numa interação pela internet, ele não está apenas se despedindo ou agradecendo, mas está também firmando sua identidade junto ao seu interlocutor e, eventualmente, junto a todo o grupo que participa daquela comunidade. É como se a simpática palavra de despedida ou de agradecimento não bastasse, e ele quisesse reforçar a identidade grupal, ou seja, ele também é jovem, descontraído e “descolado”. Claro que essas coisas nem sempre são tão conscientes, mas estão na mesma esfera de comportamento grupal que explica por que um jovem resolve comprar uma camiseta com a estampa de determinada banda musical, ou fazer uma tatuagem, pôr um piercing, etc.

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