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Wednesday, 27 de October de 2021 Rss
22 Apr

ArtEducação: Humanizar é preciso

ArtEducação: Humanizar é preciso

ArtEducação 1

Na última sexta-feira, dia 9/4, tive o prazer de participar de um seminário de educação promovido pela Escola Pan Americana, em Salvador.

O mês de abril é particularmente difícil para um autor didático, pois os originais estão sendo fechados nos meses de abril e maio. Embora previsse essa situação, aceitei o convite, motivado pelo tema encantador: “ArtEducação: Humanizar é preciso”.

Mesmo procurando dar à minha fala um caráter mais prático do que teórico, parti de algumas referências teóricas, entre elas a do formalista russo Chklovsky, que foi um dos primeiros a teorizar sobre o tema, Lucácks e, principalmente, autores mais recentes, como Luzia de Maria, Antonio Candido e Rubem Alves.

O que busca um leitor quando lê um texto? Partindo dessa pergunta, procurei costurar um discurso que trouxesse algumas respostas, como a de Luzia de Maria, para quem a leitura é a busca de experiências; a de Antonio Candido, para quem a leitura literária busca a ficção e a fantasia; e a de Rubem Alves, para quem a poesia pode tocar a alma de seus leitores por meio da palavra-música.

Ora, o que busca um professor de língua portuguesa em suas aulas? Sem dúvida, entre outras coisas, tocar seus alunos, humanizá-los por meio da palavra. O texto literário, mais do que qualquer outro, tem essa capacidade, como bem observou Rubem Alves, assim como a música, o cinema, o teatro e outras artes.

Humanizar os estudantes, de todas as idades, tem sido um dos focos de meu trabalho, desde que me tornei professor. E, como autor didático, essa preocupação está presente em cada obra, em cada trabalho.

 Humanizá-los significa torná-los mais sensíveis à arte, mais solidários com o outro, mais críticos em relação à cultura massificante e ao consumismo, mais tolerantes e democráticos em relação às pessoas em toda a sua diversidade; enfim, mais capazes de amar.

Agradeço à Escola Pan Americana pelo convite e por essa oportunidade de falar sobre um tema caro, que dá sentido ao nosso trabalho.

E, depois de minha fala, ainda tive o prazer de assistir à palestra do professor Cipriano Luchesi, da Universidade Federal da Bahia, que discutiu de forma maravilhosa o tema “avaliação escolar”.

ArtEducação 2

Reproduzo aqui os textos teóricos que apresentei em slides nesse encontro:

“Quando pegamos um livro para ler, um romance ou mesmo um ensaio, ou até mesmo um jornal ou revista, o que nos move é muito mais a experiência e o prazer que essa leitura nos proporciona, do que simplesmente a busca de informação. […] a leitura, enquanto oportunidade de enriquecimento e acumulação de experiências, se torna primordial na formação do ser humano. O que é experiência? Não pode ser medida e não é facilmente definida. Talvez nem precise de definições. A experiência é sinônimo de estar vivo, criando e explorando, interagindo com mundos – reais, possíveis e inventados.”

                          (Luzia de Maria. Leitura e colheita. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 23.)

 
“Um certo tipo de função psicológica é talvez a primeira coisa que nos ocorre quando pensamos no papel da literatura. A produção e a fruição desta se baseiam numa espécie de necessidade universal de ficção e de fantasia, que de certa forma é coextensiva ao homem, por aparecer invariavelmente em sua vida, como indivíduo e como grupo, ao lado da satisfação das necessidades mais elementares. E isto ocorre no primitivo e no civilizado, na criança e no adulto, no instruído e no analfabeto. A literatura propriamente dita é uma das modalidades que funcionam como resposta a essa necessidade universal […].”

 (Antonio Candido. “A literatura e a formação do homem”. Revista Ciência e Cultura, set./1972.)

 

“Toda alma é uma música que se toca. Quis muito ser pianista. Fracassei. Não tinha talento. Mas descobri que posso fazer música com palavras.Assim, toco a minha música… Outras pessoas, ouvindo a minha música, podem sentir sua carne reverberando como um instrumento musical. Quando isso acontece, sei que não estou só. Se alguém, lendo o que escrevo, sente um movimento na alma, é porque somos iguais. A poesia revela a comunhão.”

(Rubem Alves. Na morada das palavras. Campinas: Papirus, 2003. p. 71.)

 

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