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Wednesday, 27 de October de 2021 Rss
31 Mar

As crianças mais inteligentes do mundo

As crianças mais inteligentes do mundo

As crianças mais inteligentes do mundo

Este é o título da obra da jornalista americana Amanda Ripley: As crianças mais inteligentes do mundo – e como elas chegaram lá (Editora Três Estrelas). Li e bebi cada linha dessa obra de mais de 400 páginas como quem procura a resposta para a grande pergunta: como educar adequadamente nossas crianças e jovens? Como fazer com que nossos alunos cresçam intelectualmente e sejam leitores competentes e capazes de lidar com operações matemáticas mais complexas?

O primeiro aspecto positivo da obra é que ela não foi escrita por um educador. Amanda Ripley é uma jornalista e, durante anos, evitou ter de escrever matérias sobre educação, por entender que esse é um terreno pouco objetivo, em que as mais variadas razões podem explicar (ou não) sucessos e fracassos.

Algo, entretanto, chamou a sua atenção. Amanda teve de ir a Paris em 2001 para cobrir um fato novo em educação, os resultados do primeiro exame do Pisa, realizado em 2000. O Pisa (Programme for International Student Assessment – Programa Internacional de Avaliação de Alunos) é um teste internacional de avaliação criado pelo cientista Andreas Schleicher. E, surpreendentemente, o resultado do Pisa 2000 apontava a Finlândia – e não as grandes nações até então consideradas modelo em educação como Alemanha, França, Inglaterra e outras – como a primeira colocada.

Mas o que a Finlândia vinha fazendo de tão especial em educação? Essa era a pergunta que jornalistas e governantes de todo o mundo se faziam e nem mesmo as autoridades finlandesas tinham a resposta. Eles só sabiam que havia vários anos vinham trabalhando para melhorar os resultados da educação, mas não tinham ideia de que estavam à frente da Alemanha, país que, em matéria de educação, até aquele momento servia de modelo para os finlandeses.

Os Estados Unidos nunca estiveram entre os primeiros países  em matéria de educação, apesar de ser o país que mais gasta com educação no mundo. No geral, há alguns Estados americanos com resultados educacionais excelentes, e há outros cujo rendimento escolar se equipara ao de países subdesenvolvidos.  Para explicar essa disparidade, sempre se recorreu a  razões de ordem social, econômica e étnica.  Mas será que isso explica tudo?

Essa dúvida é o que motivou Amanda Ripley a desenvolver uma longa e ampla pesquisa, que envolveu estudantes e países. Ela acompanhou de perto a vida escolar de três jovens americanos que saíram dos Estados Unidos para estudar, respectivamente, na Finlândia, na Coreia do Sul e na Polônia. E, além disso, colheu informações detalhadas sobre as políticas de ensino de cada país, o dia a dia da escola, a importância social dos professores, a qualificação e a remuneração desses profissionais, o envolvimento dos pais com a educação, o acesso à universidade, a importância de uma boa universidade para o sucesso profissional e financeiro, etc.

Embora a obra seja escrita do ponto de vista de uma jornalista americana, que quer compreender os “maus” resultados de seu país no Pisa (16º lugar), a obra interessa a todos nós, pois levanta questões que se encaixam perfeitamente na realidade de muitos países, entre eles o Brasil, que, no exame de leitura do Pisa 2000, entre 32 países, ficou em último lugar.

Recomendo fortemente a leitura da obra, da qual podemos extrair informações e reflexões importantes. Contudo, como qualquer outra obra, não creio que ela deva ser lida de modo acrítico. Apesar de a obra trabalhar com dados bastante objetivos, é natural que o ponto de vista da autora sobre o que seja uma educação de qualidade está presente na obra. Amanda tem um alvo certo: trazer para todo o mundo informações sobre a educação nesses países e, ao mesmo tempo, chacoalhar as instituições de ensino americanas.

Pretendo discutir aqui, nas próximas publicações, alguns aspectos interessantes da obra de Amanda Ripley.

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