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Wednesday, 27 de October de 2021 Rss
30 Jul

Celular na sala de aula: sim ou não?

Celular na sala de aula: sim ou não?

Celular na sala de aula

Créditos: Thinkstock/Getty Images

O assunto é controvertido. O uso de celulares e tablets em sala de aula divide professores, pais e especialistas da educação em geral. Se, por um lado, esses suportes tecnológicos podem colaborar para que o aluno se distraia e se distancie das aulas, seja ouvindo música, seja navegando na Internet, por outro lado podem ser parceiros importantes no processo educacional.

Alguns textos jornalísticos recentes apontam para direções contrárias e mostram o momento de indefinição e de transição que estamos vivendo. O primeiro deles ― “Como professores e alunos podem usar celulares no aprendizado” (http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2014/07/11/1100488/
professores-alunos-podem-usar-celulares-aprendizado.html
) ― sugere várias alternativas de uso de celulares, tablets e programas específicos, como o Google Docs para a realização de debates, de produção coletiva de textos, etc. Vale a pena ler e tentar pôr em prática algumas dessas sugestões.

O segundo deles ― “Aluno processa professor por ter tomado celular em sala de aula e Justiça nega pedido” (http://www.bahianoticias.com.br/justica/pense-no-absurdo/280-aluno-processa-professor-por-ter-tomando-celular-em-sala-de-aula-e-justica-nega-pedido.html) ― relata a decisão de um juiz baiano a respeito de uma causa de indenização, motivada pelo gesto de um professor que tomara o celular de um aluno em aula porque este ouvia música.

Evidentemente que, quando se fala no uso de celulares e tecnologia na escola, ninguém imagina que seja esse tipo de uso, isto é, que os alunos possam, durante as aulas, usar livremente seus celulares para ouvir música e navegar nas redes sociais. Mas, por outro lado, ignorar que a tecnologia possa auxiliar o nosso trabalho também não me parece ser o melhor caminho, conforme eu mesmo já tive oportunidade de dizer numa gravação em vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=ZGEE9WWb-LA) .

É claro que o celular e outros dispositivos podem e devem ser usados em sala de aula. Mas é preciso ressaltar que esse uso precisa ser sempre mediado pelo professor. É ele quem deve propor e organizar as atividades, nas quais a tecnologia é apenas uma ferramenta para a construção colaborativa do saber, na forma de fóruns de discussão, vídeos formativos, divulgação de textos dos alunos em blogs, pesquisas em bibliotecas, visitas a museus, produção coletiva de textos, etc.

No jornal Folha de S. Paulo de 28/07 (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/
178003-de-olho-numa-tela-jovens-hoje-tem-dificuldade-em-identificar-emocoes.shtml
), há uma entrevista com o professor e psicólogo Peter Salovey, presidente da Universidade Yale, nos Estados Unidos, na qual ele comenta os aspectos positivos e negativos do uso da tecnologia. Se, por um lado, diz ele, os jovens de hoje, presos às telas, têm dificuldades para identificar emoções, por outro lado, reconhece: “As ferramentas digitais são boas em sala de aula e fora dela. Por muitos anos dei um curso de introdução à psicologia. Se voltasse a lecioná-lo, colocaria as aulas online como lição de casa e deixaria muito mais tempo livre com meus alunos em sala para debater, interagir, fazer exercícios. Acredito nesses híbridos”. 

Eu também. Concordo inteiramente com o professor. Bom-senso, equilíbrio e liderança, é o que se espera dos educadores em momentos como este.

 

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