Blog do Cereja


Wednesday, 27 de October de 2021 Rss
16 Mar

Entrevista

Entrevista

A rede de ensino Santa Mônica, do Rio de Janeiro, me encaminhou um conjunto de perguntas para publicar em seu jornal interno. Veja parte dessa entrevista.

1.    O seu material didático foi totalmente reformulado este ano. Quais as principais novidades do novo material?

Fizemos mudanças profundas na nova edição. Entre elas, alteração da maior parte dos textos que servem de base para a leitura, a produção de texto e os estudos gramaticais. Também fizemos alterações na distribuição dos gêneros ao longo das séries. Por exemplo, introduzimos o verbete de curiosidades no 2º ano, por entendermos que ele está mais compatível com a condição dos alunos, já que é um gênero mais curto e desperta a curiosidade da criança. O verbete de enciclopédia, que ocupava esse lugar, passou agora ao 3º ano.

Outra novidade é a introdução do comentário de Internet, gênero que vem sendo praticado por muitas crianças e jovens. Procuramos canalizar o trabalho com esse gênero para que a criança aprenda, desde cedo, a argumentar, a expressar seu ponto de vista a partir de argumentos. Muitos projetos de produção textual foram reescritos e outros são inteiramente novos.

Na parte de gramática, foram introduzidos conteúdos inteiramente novos, como a parte de sinonímia e antonímia, a abordagem semântica dos artigos, ampliação do trabalho com pronomes e verbos, etc.

Deixamos o livro mais leve, mais arejado; criamos muitas atividades lúdicas e, por fim, criamos em todos os anos uma Provinha Diagnóstica, que é um instrumento (não obrigatório) de o professor avaliar seus alunos usando critérios semelhantes aos usados pelo MEC na Prova Brasil.

2.    O seu material didático contém ferramentas multimídia de apoio ao professor. Conte-nos um pouco sobre esse recurso.

O limite da página impressa sempre foi um entrave para os autores didáticos, já que o papel não permite veicular o som e o movimento. Em língua portuguesa, há muitos recursos que podem enriquecer as aulas, como a música, a contação de histórias, a declamação de poemas, o cinema, os jogos, etc.

Com o avanço da tecnologia, os autores e as editoras começaram a sonhar com um material mais completo, que incluísse uma plataforma digital e um conjunto de objetos educacionais digitais, que trariam para a sala de aula todo esse conjunto de possibilidades.

Vamos dar um exemplo: ao fazer a leitura de uma pintura, por exemplo, o professor pode ampliar a imagem e pedir aos alunos que observem alguns detalhes da pintura. Ao ler um texto de Ziraldo, pode acessar uma entrevista do próprio escritor, na qual ele comenta o seu processo de criação ou suas experiências. Ao abordar um conto maravilhoso, pode fazer com que os alunos ouçam o conto, narrado de forma expressiva e com recursos sonoros e musicais, enquanto acompanham a leitura pelo livro. Pode também apresentar filmes, no todo ou em parte, para diferentes fins: para interpretar, para criar a partir dele, para debater, etc.

No ensino fundamental I, os alunos de todos os anos têm em seu próprio livro um CD com vários desses recursos: declamação, música, contação de história, etc. Assim, o aluno pode acessar esses objetos em casa, seja para se divertir com a família, seja para estudar.

Nas séries iniciais, quando ocorre o processo de alfabetização, recursos desse tipo têm uma importância enorme. Por exemplo, quando está em casa, a criança pode, por exemplo, abrir o livro e tentar ler um texto que esteja com o ícone do áudio. Ao ouvir a declamação do texto e tentar acompanhá-la com o dedo ou com o olhar as palavras correspondentes, a criança está confirmando suas hipóteses sobre o sistema alfabético da língua, o que é uma atividade essencial no processo de alfabetização. E tudo isso ocorre de forma natural e lúdica. É como se as aulas continuassem no ambiente doméstico, mas por iniciativa e prazer do próprio aluno.

 

Deixe o seu comentário

Seu email não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados com *