Blog do Cereja


Wednesday, 27 de October de 2021 Rss
30 Aug

Esclarecimentos aos professores

Esclarecimentos aos professores

A coleção Português: linguagens e o PNLD 2020

Prezado professor:

Foi com estranhamento e tristeza que recebemos a notícia da reprovação da coleção Português: linguagens (anos finais do Ensino Fundamental) no programa PNLD 2020. Até agora, a coleção tinha sido aprovada em todos os programas de governo e sempre foi a obra mais adotada nas redes pública e privada de ensino do país, desde seu lançamento, em 1999.

Com esse resultado, muitos divulgadores e assessores desinformados de editoras concorrentes têm se aproveitado do fato para depreciar a imagem da obra e dos autores, fazendo afirmações falsas como, por exemplo, de a obra não estar de acordo com a BNCC ou apresentar conceitos errados.

Soma-se a essas falsas especulações uma publicação recente, de um site de notícias, afirmando que a obra teria sido eliminada do PNLD por censura, isto é, por apresentar textos críticos e uma tira de Quino (Mafalda). Essa informação teria sido fornecida por uma suposta fonte.

A fim de esclarecer os fatos e definir a única verdade que conhecemos até o momento, elucidaremos a seguir o que realmente aconteceu.

O Parecer do MEC a respeito da obra foi bastante inconsistente, pois elogia abertamente o trabalho feito pela coleção para, no final, reprová-la com base em questões pontuais e equivocadas, conforme explicaremos a seguir.  Veja o que diz a introdução do Parecer (destaques nossos):

 

“Quando [sic] ao movimento Estudo do texto, são contemplados textos de diferentes gêneros do discurso/textuais, com foco em propostas de atividades visando compreensão e interpretação textuais. As atividades propostas contemplam aspectos gerais e específicos de prática de leitura, além de questões voltadas à leitura crítica/reflexiva e à multimodalidade. Isto é, a obra traz propostas de leitura que não apenas se restringem à modalidade verbal, mas, também apresenta atividades que exploram as modalidades visual e audiovisual, por exemplo. Sobre o movimento Produção de texto/De olho na escrita, são apresentadas propostas de atividades envolvendo a produção de textos (orais e escritos) de diversos gêneros do discurso/textuais. Focadas na produção de textos concretos e ancorados nas situações concretas/reais de interação, as propostas são balizadas/referenciadas pelos gêneros e trazem orientações ancoradas nessa perspectiva (a dos gêneros do discurso/textuais) para os estudantes. Em outras palavras, destaca-se que as atividades de produção de textos, na obra, são associadas às condições sociais de produção, recepção e circulação, buscando explicitar aspectos contextuais/situacionais da produção textual. Relativo à Língua em foco, as atividades propostas são apresentadas tendo em vista a abordagem da prática de análise linguística/semiótica. Mesmo em aspectos gramaticais mais sistêmicos e focados na palavra, a obra busca contemplar textos de diferentes gêneros do discurso/textuais para discutir/explicar os aspectos da gramática. A prática de análise linguística/semiótica é evidenciada, na obra, por meio de atividades, em maior parte, que buscam explorar mais habilidades epilinguísticas em relação a habilidades metalinguísticas. Em termos gerais, a obra traz uma organização que contempla textos com diversidade de gêneros do discurso/textuais e, em relação às práticas de linguagem, propõem-se abordagens interdisciplinares dos conteúdos e dá-se atenção à multimodalidade. As unidades e capítulos contemplam as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Fundamental quanto ao trabalho com as práticas de linguagem (leitura, produção de textos, análise linguística/semiótica), além de uma visão de língua(gem) como prática social (de base sociointeracionista) que baliza a proposta da obra. Ao final, a obra elenca as referências bibliográficas utilizadas. Em conclusão, pode-se considerar que a obra em análise caracteriza-se por apresentar: (i) atividades que contemplam as práticas de linguagem (leitura, oralidade, produção de texto e análise linguística/semiótica); (ii) atividades que são balizadas por gêneros do discurso/textuais; (iii) propostas inovadoras de trabalho com a linguagem – os projetos (ao final de cada unidade); (iv) atividades que mobilizam recursos tecnológicos, audiovisuais e a multimodalidade; e (v) propostas de leitura, escuta e produção de texto, sempre que possível, integradas à prática de análise linguística/semiótica. Reitera-se, sobretudo, que a obra apresenta atividades ancoradas nos referenciais teórico-metodológicos indicados a perspectiva interacionista sociodiscursiva e na abordagem de língua indicada: a visão enunciativa.”

 

Além da avaliação claramente positiva e elogiosa da obra, o Parecer não aponta nenhum erro conceitual, nenhuma inconsistência teórico-metodológica, nenhum texto ou atividade que pudesse ter uma conotação preconceituosa, nenhuma situação de desrespeito às leis, nenhum sinal de doutrinação ideológica nem algo que ferisse os diretos humanos ou os direitos da criança e do adolescente. Mesmo as situações mais desafiantes e inovadoras propostas pela BNCC — como o trabalho com diferentes gêneros da esfera digital (vlog, podcast, booktube, fanclipe, videopoema, etc.) e conteúdos linguísticos nunca antes trabalhados no ensino fundamental, como “modalização” e “avaliação apreciativa”, entre outros — não tiveram nenhuma restrição ou crítica.

Segundo o Parecer, a obra foi reprovada por duas razões: uso de cinco anúncios publicitários, supostamente indevidos, e a suposta ausência de quatro habilidades da BNCC. No próximo post, procuraremos desenvolver esses apontamentos.

                                                                                                                                                                                                        William Cereja e Carolina Vianna

Deixe o seu comentário

Seu email não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados com *