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Tuesday, 27 de July de 2021 Rss
03 Sep

Habilidades da BNCC e a avaliação do PNLD 2020

Habilidades da BNCC e a avaliação do PNLD 2020

Quanto às quatro habilidades que, segundo o parecer, não foram trabalhadas na coleção, afirmamos com segurança: todo professor que tem algum contato com nossos livros reconhecerá facilmente que elas são, sim, exploradas ao longo da coleção.

Trata-se das seguintes habilidades: EF69LP28 (sobre modalidades deôntica e apreciativa); EF69LP39 (sobre o trabalho com o gênero entrevista) EF89LP20 (sobre comparação de propostas de solução de problemas e contraste de informações de diferentes fontes) e EF89LP30 (sobre análise de estrutura de hipertexto e hiperlinks). Reproduzimos a seguir os descritores de cada uma dessas habilidades, seguidos de uma listagem dos volumes e atividades nas quais elas podem ser encontradas.

EF69LP28: “Observar os mecanismos de modalização adequados aos textos jurídicos, as modalidades deônticas, que se referem ao eixo da conduta (obrigatoriedade/permissibilidade) como, por exemplo: Proibição: Não se deve fumar em recintos fechados.; Obrigatoriedade: A vida tem que valer a pena.; Possibilidade: É permitido a entrada de menores acompanhados de adultos responsáveis, e os mecanismos de modalização adequados aos textos políticos e propositivos, as modalidades apreciativas, em que o locutor exprime um juízo de valor (positivo ou negativo) acerca do que enuncia. Por exemplo: Que belo discurso!, Discordo das escolhas de Antônio. Felizmente, o buraco ainda não causou acidentes mais graves.”

No volume do 6° ano, na página 257 (ressaltamos que essa ocorrência é listada na própria Avaliação, embora a habilidade esteja classificada como ausente) no estudo do modo imperativo, é explorado o sentido de proibição desse modo verbal e é apresentado um boxe que trata de frases com intencionalidade imperativa, mesmo utilizando outros modos verbais (como no exemplo citado no livro, “Você poderia falar mais baixo?”), o que configura um caso de modalização.

No volume do 7° ano, no trabalho com o resumo, há um boxe com um trecho do ECA (p. 231), e a questão 1 (p. 232), ao pedir aos alunos que relacionem a situação vivida pela adolescente com o texto do estatuto, perguntando, especificamente, qual direito apontado no documento é desrespeitado, trabalha com essa habilidade, pois, para resolver a questão, é preciso observar os mecanismos de modalização de um texto jurídico e saber o que é ou não permitido ou obrigado naquele contexto. O mesmo acontece no item a da questão 3 e no item b da questão 4, do mesmo estudo.

No volume do 8° ano, nas p. 140 a 143, também trabalhamos com mecanismos de modalização e de avaliação do autor sobre o que enuncia. O texto introdutório dessa seção explicita o foco do trabalho: “Nos diversos usos que fazemos da nossa língua, menos ou mais explicitamente, nós fazemos avaliações em relação àquilo que falamos ou escrevemos”.

Também no volume do 8° ano, no trabalho com o modo imperativo, a questão 5 da p. 203 explora diferentes placas, que indicam uma única ordem, de forma mais objetiva e direta, ou mais modalizada, conforme aponta explicitamente o enunciado da questão.

Ainda no volume do 8° ano, no trabalho com dicas e cartilha: nas p. 157 e 158, os alunos leem um trecho do código de defesa do consumidor e estudam alguns de seus artigos, analisando como se aplicam a situações do seu dia a dia. Os recursos de escrita desses textos são explorados até o trabalho com leitura e produção da cartilha, nas p. 161 e 162. Todos esses estudos, desenvolvidos ao longo dessas páginas, têm como base a modalidade deôntica, do eixo da conduta, analisando situações de proibição, possibilidade e obrigação por parte dos cidadãos aos quais tais textos se dirigem.

No volume do 9° ano, a habilidade é explorada na questão 2 da página 25, e há um capítulo de Análise linguística que trata da modalização epistêmica e que trabalha também com o juízo de valor do locutor sobre o que enuncia, entre as páginas 316 e 320.

EF69LP39: “Definir o recorte temático da entrevista e o entrevistado, levantar informações sobre o entrevistado e sobre o tema da entrevista, elaborar roteiro de perguntas, realizar entrevista, a partir do roteiro, abrindo possibilidades para fazer perguntas a partir da resposta, se o contexto permitir, tomar nota, gravar ou salvar a entrevista e usar adequadamente as informações obtidas, de acordo com os objetivos estabelecidos.”

No volume do 7° ano, a entrevista é trabalhada nas modalidades oral e escrita. Nas páginas 326 e 327, no quadro de planejamento e revisão, são dadas várias orientações referentes aos pontos levantados no descritor da habilidade, entre eles: conhecer o entrevistado, definir o foco da entrevista, preparar o roteiro, planejar perguntas, gravar, tomar notas, etc., como se pode ver a seguir.

Habilidades BNCC_parte 2
(7° ano, p. 326 e 327)

EF89LP20: “Comparar propostas políticas e de solução de problemas, identificando o que se pretende fazer/implementar, por que (motivações, justificativas), para que (objetivos, benefícios e consequências esperados), como (ações e passos), quando etc. e a forma de avaliar a eficácia da proposta/solução, contrastando dados e informações de diferentes fontes, identificando coincidências, complementaridades e contradições, de forma a poder compreender e posicionar-se criticamente sobre os dados e informações usados em fundamentação de propostas e analisar a coerência entre os elementos, de forma a tomar decisões fundamentadas.”

A habilidade é contemplada na coleção, uma vez que há diversos momentos, em diferentes volumes, em que são trabalhados textos de propostas de solução de problemas, tais como cartas abertas (7° ano), abaixo-assinado (7° ano), dicas (8° ano), cartilhas (8° ano), cartazes de campanhas (8° ano), debate regrado público (9° ano).

No volume do 7° ano, no trabalho com os gêneros carta aberta e abaixo-assinado, entre as páginas 270 e 276, são abordadas questões ligadas às propostas de solução de problemas levantadas pelos textos apresentados para estudo. Em ambos os casos, analisam-se as estruturas dos textos, que contêm, tal como consta no descritor da habilidade supracitado, “o que se pretende fazer/implementar, por que (motivações, justificativas), para que (objetivos, benefícios e consequências esperados), como (ações e passos), quando, etc.”. Também são analisados os dados e informações, de diferentes fontes, que os autores dos textos utilizam para sustentar sua argumentação, sempre buscando compreender como todos esses itens constroem sentidos nos textos em estudo.

No volume do 8° ano, no capítulo de Análise Linguística que se inicia na página 148, há um estudo do texto de uma cartilha cuja leitura e análise é feita em estudo nas duas páginas subsequentes, assim como o cartaz de uma campanha, na página 150, cujo estudo proporciona a leitura, a análise e a discussão de estratégias que levam os alunos a perceber os sentidos construídos nos textos, tais como a criação de um efeito de credibilidade ou a ordenação de comportamentos. Esses estudos de leitura também observam os objetivos dos produtores dos textos e as situações de comunicação nas quais eles são veiculados, questões diretamente relacionadas ao descritor da habilidade em discussão. Além disso, o tipo de trabalho proposto dá subsídios para que o professor lance mão das mesmas estratégias para trabalhar com outros textos semelhantes, específicos a seu contexto de atuação. O mesmo processo se dá em outros estudos do volume 8, por exemplo, nas páginas 202 e 203, especialmente nas questões 3 e 4.

No volume do 9° ano, no trabalho com o debate regrado público, é explorada a importância da diversidade de pontos de vista, e entre as páginas 280 e 282 é feita a leitura e análise de um trecho de debate transcrito, contrastando dados e informações de diferentes fontes.

 
EF89LP30: “Analisar a estrutura de hipertexto e hiperlinks em textos de divulgação científica que circulam na Web e proceder à remissão a conceitos e relações por meio de links.”

No volume do 7° ano, entre as páginas 332 e 334, a seção “Para ler e escrever com coerência” é dedicada ao papel dos links.

No volume do 7° ano, na questão 6 da página 276, é explorada a função do link no texto em estudo.

No volume do 8° ano, no capítulo que estuda o verbete, a questão 9 da página 271 explora a função dos links nas enciclopédias digitais.

* Ressaltamos que a BNCC prevê flexibilidade na disposição dos conteúdos ao longo dos quatro anos do segundo ciclo do ensino fundamental. Conforme explicita o texto do documento, “os gêneros podem ser contemplados em anos diferentes dos indicados” (BNCC, p. 139). Da mesma forma ocorre com os conteúdos de análise linguística/semiótica, os quais, ainda segundo o texto da BNCC, “se articulam aos demais eixos em que se organizam os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de Língua Portuguesa” (BNCC, p. 139). 

Como se pode verificar, as habilidades apontadas pela avaliação do PNLD 2020 como ausentes na coleção estão presentes em livros de diferentes anos, exploradas e retomadas de acordo com as propostas de cada capítulo, tendo em vista o que é estudado. Por esse motivo, acreditamos que a análise feita na avaliação é inconsistente.

No próximo post, trataremos do questionamento ao trabalho com alguns anúncios publicitários utilizados na coleção Português: linguagens.

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