Blog do Cereja


Tuesday, 18 de May de 2021 Rss
10 Feb

Medo de alfabetizar de modo diferente?

Medo de alfabetizar de modo diferente?

Créditos: Thinkstock/Getty Images

Créditos: Thinkstock/Getty Images

Com a nova edição da coleção Português: linguagens, que ora chega às livrarias, muitas escolas resolveram incluir o volume 1 da coleção, destinado ao letramento e à alfabetização.

Alguns professores, que há anos vinham alfabetizando com cartilhas e tinham suas práticas de ensino já bem-definidas,  evidentemente se sentem  perdidos e até desesperados no início, pois as atividades de Português: linguagens são contextualizadas e tomam o texto como ponto de partida para todas as atividades: leitura, alfabetização, escrita, produção de texto.

Contudo, não é motivo para se desesperar. Primeiramente, é preciso lembrar que, na maioria das escolas, o processo de letramento e alfabetização é um processo contínuo, que começa bem antes do 1º ano, durante a educação infantil. E, mesmo quando as crianças ingressam na escola apenas com 6 anos, muitas delas já chegam reconhecendo algumas letras e números e algumas já sabem escrever o próprio nome.

Em segundo lugar, convém lembrar que, no 1º ano, o aluno não precisa ler e escrever de modo independente tudo o que o livro oferece. Neste momento, é fundamental o papel do professor como mediador, seja no papel de leitor dos principais textos, seja no de escriba. Assim, em vez de o professor focar apenas as atividades de alfabetização – imaginando que o aluno seja incapaz de compreender e interpretar um texto porque ainda não lê de modo independente –, ele pode perfeitamente promover um trabalho coletivo de leitura: ele faz a leitura do texto, ou pede a um aluno mais adiantado que leia, e todos podem responder às perguntas coletivamente. A produção das respostas, que devem ser simples nesse estágio,  também pode ser uma atividade coletiva na lousa.

As atividades de alfabetização, que antes eram feitas a partir da oposição, comparação, montagem e desmontagem de sílabas e palavras, agora podem ser realizadas a partir do próprio material linguístico oferecido pelos textos. Isso é o que chamamos de contextualização.

Com a produção de texto, não será diferente. Se o aluno está aprendendo a lidar com o alfabeto e a escrever o próprio nome, poderá produzir uma ficha pessoal e escrever o nome do pai, da mãe, a data de nascimento e o endereço onde mora. Poderá, na sequência,  fazer uma pequena agenda telefônica, com os nomes dos principais colegas da escola. Como se vê, são atividades de produção de texto também contextualizadas e sintonizadas com o que o aluno está aprendendo no processo de alfabetização.

Passado o estranhamento natural do início do trabalho, o professor alfabetizador vai perceber que os alunos dessa forma vão conseguir, sim, ser alfabetizados. Porém, além disso, vão também desenvolver desde o início habilidades de leitura e de produção textual indispensáveis para a sua vida escolar.

Aos que estão deixando a cartilha e utilizando pela primeira vez o volume 1 da coleção Português: linguagens, recomendo tranquilidade e confiança: confiança no aluno, em seu próprio trabalho e na obra. Tenho certeza de que esse novo desafio  vai tornar seu trabalho ainda mais rico e produtivo!

 

Deixe o seu comentário

Seu email não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados com *