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Tuesday, 27 de July de 2021 Rss
18 May

O fim do currículo escolar e das disciplinas na Finlândia? E nós?

O fim do currículo escolar e das disciplinas na Finlândia? E nós?

Enquanto no Brasil uma equipe especializada, a convite do MEC, se esforça para criar um currículo nacional, que possa servir como parâmetro para o ensino das disciplinas em todos os pontos do país, hoje a Finlândia discute a possibilidade de pôr fim às disciplinas e ao currículo escolar. Por que essa discrepância? Estamos caminhando na direção errada?

Primeiramente, a Finlândia tem uma população de cerca 5 milhões de habitantes, ou seja, apenas metade da população da cidade de São Paulo. Portanto, é muito mais fácil administrar a educação naquele país, que tem um dos melhores IDH do mundo, do que no Brasil, com suas disparidades sociais e regionais. Além disso, os professores possuem cursos de pós-graduação, ganham bons salários, são prestigiados socialmente; a administração escolar funciona, os pais se envolvem com a escolaridade dos filhos; enfim, a educação como um todo funciona melhor naquele país.

Além disso, conforme vimos discutindo aqui neste blog, desde o ano 2000 a Finlândia vem se destacando entre os melhores do mundo em Educação. Por que então o desejo de mudar o que vem dando certo?

Num país em que o problema da educação está, digamos, “resolvido”, fica difícil avançar quando se tem a amarra de um currículo escolar. Os professores finlandeses sentem necessidade de promover uma educação mais condizente com as necessidades do jovem de hoje e do mercado de trabalho atual. Sentem necessidade, por exemplo, de promover uma educação interdisciplinar, a partir de projetos e problemas do mundo real, sem o peso de um currículo escolar engessado e da memorização de conceitos e informações, em grande parte disponíveis na Internet.

Créditos: Thinkstock/Getty Images

Créditos: Thinkstock/Getty Images

No Brasil, esse movimento também já se iniciou, porém aqui as condições são completamente diferentes, pois um grande número de alunos chega ao final do ensino médio sem conseguir escrever um texto simples ou ler um texto que exija operações mais abstratas, como a inferência.

Partir desse patamar de educação para o fim do currículo escolar ou para uma educação baseada em projetos interdisciplinares pode ser arriscado, não acham?

De qualquer modo, o Brasil também não pode deixar de olhar esse caminho. E talvez nem seja necessário esperar que primeiramente nossos problemas com educação estejam resolvidos para somente então pensar numa renovação do ensino médio.

O MEC já vem apontando para essa direção há alguns anos, conforme se pode constatar pela publicação do documento “Ensino médio inovador”, de 2009 (portal.mec.gov.br/dmdocuments/ensino_medioinovador.pdf).

Penso, contudo, que em nosso país teremos de caminhar nas duas direções, simultaneamente: de um lado, pôr ordem na casa e, por meio de um currículo nacional, procurar diminuir as discrepâncias da qualidade do ensino no país. De outro lado, desenvolver projetos-piloto com núcleos experimentais de educação em que essas propostas de ensino inovador e integrado a partir de projetos sejam testadas e amadurecidas. Acredito que, em alguns anos, talvez uma década, as duas pontas desse percurso se encontrem.

 

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