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Monday, 2 de August de 2021 Rss
19 Feb

O menino e o mundo

O menino e o mundo

O menino e o mundo

Vi o filme O menino e o mundo, de Alê Abreu, em 2014, quando foi lançado nos cinemas brasileiros. Na ocasião, adorei o filme e cheguei inclusive a indicá-lo em minhas obras didáticas mais recentes, como no volume 3 da coleção Português: linguagens, edição de 2014. Não imaginava, porém, que ele pudesse ser nosso único representante na disputa pelo Oscar 2015, a se definir na próxima semana.

Essa novidade me alegrou, mas são poucas as chances de o filme ganhar a estatueta, a não ser que a Academia, num ímpeto de renovação e ousadia, rompa com a linha mais bem-comportada de animações que caracteriza os filmes dos estúdios Disney, com todo o respeito que os filmes Disney merecem.

O filme de Alê Abreu é diferente do espírito “cinema-pipoca” que lota as salas dos shoppings nos fins de semana. É um filme muito bonito do ponto de vista plástico e ao mesmo tempo crítico. Não é um filme para multidões nem para crianças muito pequenas, mas um ótimo material para refinar o gosto estético e a sensibilidade das crianças, preferencialmente com 8 anos de idade ou mais.

Diferentemente das animações, que buscam resultados cada vez mais realistas, O menino e o mundo deliberadamente trilha um caminho inverso. Cuca, o protagonista, tem traços muito simples, como se pode ver no cartaz acima. Todas as cenas do filme lembram o tempo todo que se trata de uma animação, resultado de centenas de desenhos feitos em papel.

O filme narra a história de Cuca, o protagonista, cujo pai abandona a família e deixa o campo para trabalhar em uma cidade grande. Cuca, então, também resolve sair pelo país, a fim de encontrar o pai e conhecer o mundo.

Em sua caminhada, o menino vê os diversos contrastes da realidade brasileira:  exploração do trabalhador rural no campo, miséria nas favelas, desigualdade social, devastação do meio ambiente, poluição, individualismo, falência das fábricas, desemprego, migração, trânsito nas grandes cidades, tanques de guerra sugerindo ditadura militar, etc.

Mesmo que o espectador mirim não perceba todas as nuances sociais e históricas presentes no filme, sem dúvida ele será capaz de captar certos problemas da realidade amplamente discutidos na escola, como a devastação do meio ambiente, por exemplo.

A trilha sonora conta com a participação do genial percussionista Naná Vasconcelos e do rapper Emicida, trazendo atualidade e qualidade sonora ao filme.

O menino e o mundo 2

Enfim, trata-se de uma animação que deve ser vista por toda a família. De preferência, crianças e adultos juntos, com direito a um bom bate-papo depois.

Com a atual temporada de Oscar e a visibilidade que a imprensa dá aos filmes que disputam, eis um bom pretexto para promover na escola uma sessão de cinema com alunos a partir do 3º ano do ensino fundamental e, na sequência, realizar uma discussão sobre o filme.

Divirtam-se!

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