Blog do Cereja


Sunday, 9 de May de 2021 Rss
29 Jun

O trabalho com o relato pessoal e outros gêneros

O trabalho com o relato pessoal e outros gêneros

Em mais de uma ocasião, já discutimos aqui a importância de a produção de textos na escola se aproximar das práticas sociais de linguagem; em outras palavras, de a produção textual não ser uma atividade puramente escolar, distanciada da realidade e que sirva apenas para se atribuir nota ao estudante.O trabalho com o relato pessoal e outros gêneros_1

Também já tratamos aqui da importância que os
projetos cumprem nessa direção, atribuindo sentido à produção textual dos alunos e estabelecendo nexos reais entre os textos, seus atores e o público leitor.

Um exemplo recente dessa forma de pensar e trabalhar a produção textual é o material que ontem me chegou às mãos, aqui pelo Facebook, da professora Roze Tortato Merss, que atua no Colégio Notre Dame, de Maringá (PR).

Adotante da coleção Português: linguagens há muitos anos, a professora Roze é uma parceira e amiga que durante anos vem demonstrando seu completo envolvimento com a educação e com o ensino de língua portuguesa de forma contextualizada. Incansável, ela realmente leva a sério o pressuposto de que a produção textual deve ser significativa para os seus alunos.

O trabalho com o relato pessoal e outros gêneros_2

Desta vez, partindo das propostas e do projeto da Unidade 3 (“Descobrindo quem sou eu”) do volume destinado ao 6º ano da coleção Português: linguagens, Roze adaptou e acrescentou novas propostas e gêneros textuais. Propôs aos alunos que entrevistassem os membros de sua família, incluindo os avós e bisavós, a fim de que conhecessem um pouco mais de sua própria família, de sua história e de suas origens.

O resultado, como era de esperar, foi emocionante. Depoimentos maravilhosos de avós, de pais e de outros familiares e, juntamente com os textos dos próprios estudantes sobre si mesmos, resultaram na publicação de livros e na produção de uma mostra, como demonstram as fotos.

Roze executa com muita leveza e diligência aquilo que sempre defendemos em nossa coleção. Para se desenvolver um projeto de produção textual com os alunos, não há necessidade de que o professor ocupe muitas aulas e se desdobre em múltiplas atividades extraclasse. As próprias aulas, uma a uma, devem ser o caminho para a construção dos projetos. A cada aula, o aluno produz um texto, ou planeja-o, ou revisa-o, ou passa-o a limpo. Ou ilustra-o e, assim, aos poucos, o projeto vai sendo naturalmente desenvolvido. Ao final, reúne-se o material, que é alocado num livro, numa revista, num mural, num varal, e assim por diante, e, nesse suporte, finalmente cumpre o seu papel, que é chegar ao público real!

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Em sua mensagem que me foi dirigida, Roze, emocionada, conta: “Comecei a “viajar”… Quanto aprendizado… Pedi aos alunos apenas duas entrevistas, a dele e de uma avó/avô ou bisa, alguns fizeram mais e foi lindo o resultado. A intenção era confrontar gerações, perceber interesses, oportunidades, educação…”.

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Se, para Roze, o resultado foi emocionante, imaginem para os alunos e para os familiares. O livro que resultou dessa experiência certamente cumprirá um papel não apenas escolar e social (em termos de comunicação e interação social pela linguagem), mas também afetivo, já que é registro de um momento mágico, em que pré-adolescentes interagem com seus pais, avós e bisavós na descoberta de sua própria identidade e de suas origens. Afinal, quem não gostaria de ter em casa um relato escrito por seus avós sobre você mesmo? Uma experiência para guardar para sempre: na estante e no coração.

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