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Sunday, 9 de May de 2021 Rss
23 Feb

Palavra e música de Chico Buarque e Tom Jobim

Palavra e música de Chico Buarque e Tom Jobim

Palavra e música de Chico Buarque e Tom Jobim

O interesse de estudiosos da língua e da literatura pela canção não é de hoje. Desde as décadas de 1970-80, quando vivíamos sob a censura, a canção chamava a atenção de pesquisadores por causa da riqueza expressiva com que se revestia como meio de driblar a censura.

Como resultado, a letra das canções ganhou qualidade e técnica. Um exemplo clássico de que muitos se lembram é o jogo entre a palavra cálice (ou cale-se!) na canção “Cálice” de Chico Buarque e Gilberto Gil, no verso “Pai, afasta de mim esse cálice”.

O estudo de letras e letristas, tratados então como verdadeiros poetas, passou a ser relativamente comum,  e grandes compositores tiveram suas obras esquadrinhadas por pesquisadores. É o caso de Chico Buarque ­­– talvez o principal letrista dessa geração –, cujas letras receberam vários estudos. Um dos trabalhos que mais se destacaram nessa direção é o da professora de Teoria Literária Adélia Bezerra de Menezes, Figuras do feminino nas canções de Chico Buarque (Editora Boitempo).

Eis que acaba de ser publicada a obra Música e palavra nas canções de Chico Buarque e Tom Jobim (Editora Max Limonad), do arte-educador piauiense Alfredo Werney Lima Torres. Músico de formação e mestre em Letras, Alfredo Werney vê a canção como discurso e, por uma perspectiva da semiótica da canção, procura estudar como ocorre a articulação entre letra e música. Para isso, toma como objeto de análise verdadeiras obras-primas do nosso cancioneiro, como “Retrato em branco e preto”, “Imagina” e “Sabiá”, de Chico e Jobim.

Apoiado na teoria da literatura (com um olhar bem atento aos recursos musicais da palavra e do verso) e na teoria musical, o livro interessa a públicos variados: ao estudante de Letras ou de Música, ao músico, ao professor de literatura ou simplesmente aos apaixonados pela obra desses dois grandes compositores.

Sem ser técnico demais, seja no campo da teoria musical, seja no da análise semiótica da canção, Alfredo Werney acertou no recorte das canções e no tom com que tratou a matéria. Boa leitura!

 

 

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