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Tuesday, 18 de May de 2021 Rss
06 Aug

Palestras

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A historiografia literária

Palestra A historiografia literária 1

Palestra A historiografia literária

Na última semana, tive a oportunidade de estar com professores de várias cidades do país: Fortaleza, Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Em todas elas, abordei o tema “Português no ensino médio: metodologia e didática”.

Um dos aspectos mais discutidos nesses encontros tem sido a metodologia de ensino de literatura. Inicialmente apresento aos professores algumas possibilidades de abordagem da literatura: a abordagem historiográfica (ou diacrônica), a abordagem por temas, a abordagem por gêneros e, por último, a abordagem historiográfica, mas com a sequência invertida, ou seja, iniciando no 1º ano do ensino médio pelo Modernismo e concluindo, no 3º ano, com a literatura colonial brasileira. E, após a apresentação, avaliamos aspectos positivos e negativos de cada uma dessas opções metodológicas.

Nesses encontros, tenho procurado destacar que, primeiramente, a finalidade principal de um curso de literatura no ensino médio é dar continuidade ao processo de formação de leitores. No caso, a formação de leitores de textos literários, ou o letramento literário, como se tem falado.

Todas as abordagens metodológicas apontadas acima permitem alcançar esse objetivo, desde que bem desenvolvidas. Contudo, qual dos caminhos é o mais acessível aos alunos e aos professores?

A historiografia literária é a metodologia mais conhecida em nosso país e vem sendo praticada desde o século XIX, no contexto nacionalista do pós-Independência. A crítica que se tem feito a essa metodologia deve-se à rigidez da abordagem, que normalmente procura reduzir a produção literária de uma época a um conjunto de características de estilo de época e a uma lista de autores, obras, gêneros, datas, etc.

De fato, se abordagem historiográfica for praticada dessa forma, o resultado é profundamente redutor, pois não permite que sejam observados certos movimentos naturais da própria literatura, como o diálogo entre autores de diferentes épocas ou entre autores de diferentes línguas e culturas. Contudo, a abordagem historiográfica não é necessariamente ruim, desde que ela seja tratada apenas como um fio condutor de referência.

Procuramos mostrar aos professores que nós, autores da coleção Português: linguagens, fizemos uma opção metodológica pela historiografia literária, mas uma historiografia que privilegie a leitura de textos de época (textos verbais e não verbais) e que abra espaços para tratar das relações dialógicas da literatura, isto é, as relações que o texto literário estabelece com autores de diferentes épocas e culturas.

É nesse sentido que são feitos estudos comparados, por exemplo, entre a literatura brasileira e a literatura africana de língua portuguesa, ou entre autores nacionais de diferentes épocas, como Gregório de Matos e Caetano Veloso, ou entre a literatura brasileira e outras artes, como Álvares de Azevedo e a tradição gótica na música e no cinema. As relações da literatura com cinema, tevê, quadrinhos, cartuns, etc. ampliam ainda mais o leque de relações do texto literário com a contemporaneidade.

Todas essas considerações estão relacionadas com minha obra Ensino de literatura ― Uma proposta dialógica para o trabalho com literatura, voltada a professores de Língua Portuguesa e a estudantes de Letras, na qual desenvolvo amplamente o tema.

Ensino de literatura - Uma proposta para o trabalho com literatura

Nas palestras, o debate tem sido rico e agradeço a todos os professores pelas contribuições com suas críticas, questionamentos e sugestões.

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