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Wednesday, 27 de October de 2021 Rss
26 Jan

Pedofilia e ética no filme Spotlight – segredos revelados e o ensino de gêneros jornalísticos

Pedofilia e ética no filme Spotlight – segredos revelados
 
 e o ensino de gêneros jornalísticos

Spotlight

Em princípio, o jornal tem a função de informar. Contudo, às vezes, os jornalistas descobrem informações que transcendem os fatos cotidianos e podem revelar uma rede de interesses e práticas escusas envolvendo políticos, empresários, religiosos, etc. Nesse caso, o jornalismo se torna investigativo e se aproxima do papel da polícia. Muitas vezes, imprensa e polícia atuam juntas.

Neste começo de ano, entrou em cartaz o filme Spotlight – segredos revelados, de McCarthy, baseado em uma história real e que mostra como um grupo de jornalistas do Boston Globe, em Boston, nos Estados Unidos, reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso sexual de crianças, causados por cerca de 70 padres católicos. A investigação descobre que, durante anos, os casos de pedofilia vinham acontecendo regularmente na cidade, mas, quando denunciados pelos familiares, os líderes religiosos abafavam o caso e transferiam os padres para outra cidade, em vez de puni-los ou de afastá-los da Igreja. A mesma postura, de indiferença ou de proteção da imagem da Igreja, era a que se via em jornalistas, pessoas de destaque na cidade, líderes comunitários, etc.

A principal dificuldade dos jornalistas do Boston Globe foi reunir provas contra os religiosos, já que a Igreja se apropriava de qualquer prova e as próprias famílias eram convencidas por membros da Igreja a abafar os casos. Além disso, quase sempre o afastamento do religioso era visto como “problema resolvido”.

O jornalismo investigativo já tinha aparecido antes no cinema. O filme Todos os homens do presidente, de Alan J. Pacula, por exemplo, mostra o papel decisivo da imprensa na denúncia do Caso Watergate, que envolveu a Casa Branca, nos Estados Unidos. Também se destacam os filmes Nos bastidores da notícia, de James L. Brooks, e Boa noite e boa sorte, de George Clooney.

No Brasil, o jornalismo investigativo não é de todo estranho a nós. Nos escândalos do Mensalão e do Lava-Jato, por exemplo, alguns órgãos de imprensa tiveram e têm tido um papel importante no levantamento de dados, na coleta de depoimentos e entrevistas, no cruzamento de informações e na denúncia. O maior risco de quem atua nesse tipo de jornalismo é, evidentemente, fazer denúncia falsa ou mesmo denunciar sem provas, ferindo a ética.

Durante o trabalho de produção de texto com gêneros do jornal, como a notícia, a entrevista, a reportagem e o editorial, seria uma ótima iniciativa ver e debater o filme com os alunos, tanto os do ensino fundamental II quanto os do ensino médio (o filme tem indicação de censura de 12 anos). Os estudantes poderão ver, de perto, como é o dia a dia de um jornal, a sua relação com o público, a hierarquia interna, a discussão de pauta, o posicionamento do jornal diante dos fatos e, claro, o jornalismo investigativo e seus limites. Uma boa pedida para começar o ano!

 

 

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