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Sunday, 9 de May de 2021 Rss
02 Sep

Qual a relação entre gênero e cidadania? Em que medida o trabalho com gêneros auxilia na formação para a cidadania?

Qual a relação entre gênero e cidadania? Em que medida o trabalho com gêneros auxilia na formação para a cidadania?

Schneuwly faz uma pergunta curiosa: um escritor, hoje, escreveria um poema ou um romance (na forma como os compreendemos) se esses gêneros não existissem? Transpondo essa pergunta para situações mais comuns do dia a dia: como uma pessoa faria para produzir um comunicado escrito a outra pessoa, caso não houvesse a carta, o bilhete, o telegrama e outros gêneros já existentes socialmente? Com essa pergunta, o pesquisador explica que nossas ações linguísticas cotidianas são sempre orientadas por um conjunto de fatores que atuam no contexto situacional: quem produz o texto, qual é o interlocutor, qual é a finalidade do texto e que gênero pode ser utilizado para que a comunicação atinja plenamente seu objetivo.

Dessa forma, fazemos uso dos gêneros textuais que nos foram transmitidos sócio-historicamente, o que não quer dizer que não seja possível transformar esses gêneros, ou criar outros, de acordo com as novas necessidades de interação verbal que surgem historicamente.

No plano do ensino-aprendizagem de produção de texto, equivale a dizer que o conhecimento e o domínio dos diferentes tipos de gêneros textuais, por parte do aluno, não apenas o prepara para eventuais práticas linguísticas, mas também amplia sua compreensão da realidade, apontando-lhe formas concretas de participação social como cidadão.

Por exemplo, ao aprender como são feitas cartas argumentativas de solicitação e de reclamação, o aluno não apenas se apropria de informações sobre seu conteúdo, sua estrutura e sobre a linguagem mais adequada a esses gêneros, mas também toma consciência de que os cidadãos têm o direito de reclamar seus direitos e solicitar providências das autoridades competentes.

O mesmo ocorre quando aprende, por exemplo, gêneros como a carta do leitor, o editorial e gêneros argumentativos em geral, por meio dos quais o aluno toma consciência de que ele pode, como cidadão, manifestar seus pontos de vista, opinar e interferir nos acontecimentos do mundo concreto. Ou ainda, no campo mais criativo e emotivo, que pode criar, com as palavras e com os gêneros, objetos de arte para fruição estética e reflexão crítica, como o poema, a crônica, o conto e as narrativas de ficção em geral. Os projetos propostos ao final de cada unidade canalizam de forma concreta o espírito de participação, de troca, de interação social por meio das produções dos alunos, levando-os a ter uma percepção mais ampla a respeito do outro e da realidade em que vivem.

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