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Sunday, 9 de May de 2021 Rss
20 Jul

Quantas produções de texto o aluno deve fazer por mês?

Quantas produções de texto o aluno deve fazer por mês?

Créditos: Thinkstock/Getty Images

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Retomando o
post “Como criar uma sequência didática de produção textual com gêneros?”, gostaria de retomar aqui outra questão, que é sempre objeto de muita discussão: quanto tempo deve ser dedicado a cada gênero? Quantas produções o aluno deve fazer com cada um dos gêneros?

Os gêneros não são iguais. Cada um deles está atrelado a uma situação específica de produção, ou seja, circula em determinada esfera, envolve determinados interlocutores e atende a necessidades próprias.

Para um estudante se apropriar efetivamente de um gênero, não basta que ele apenas conheça sua estrutura. É necessário que ele conheça e se aproprie também de todo o contexto de produção do gênero, isto é, que experiencie todo o processo de produção daquele gênero. E, dependendo do gênero, é natural que um demande mais tempo de trabalho do que outro.

O trabalho com o bilhete nos anos iniciais, por exemplo, mesmo que implique produzir, enviar e trocar bilhetes, será sempre uma atividade mais simples e mais breve do que a produção de um debate regrado, quer seja no ensino fundamental I, quer no fundamental II, quer no ensino médio. E isso porque o tempo de produção do debate já é, por si só, maior do que o tempo de produção de um bilhete. Além disso, o debate é um gênero muito mais complexo, já que se constrói coletivamente e implica procedimentos formais mais rígidos, como a troca de turnos, o papel do mediador, filmagem,  etc.

Dessa forma, não existe um tempo único para a produção dos gêneros. Cada gênero vai requerer um tempo diferente, de acordo com o nível dos alunos, com a familiaridade que tem com aquele gênero, com as dificuldades que o gênero oferece quanto ao tema e à linguagem, e assim por diante.

Diria que, mais importante do que a quantidade de gêneros trabalhados por mês, bimestre ou trimestre, é a qualidade do trabalho. O resultado é sempre melhor quando o professor faz um trabalho planejado, em várias etapas: explorar os conhecimentos prévios dos alunos sobre o gênero a ser trabalhado, explorar diferentes amostras daquele gênero, discutir o contexto de produção e de recepção, analisar a estrutura e a linguagem, analisar o tema, etc. E, finalmente, dar início à produção propriamente dita, que também implica várias etapas: planejar o texto, fazer a primeira redação, revisar e reescrever a partir de critérios claramente estabelecidos, fazer o gênero chegar ao interlocutor previsto, etc.

Na coleção Português: linguagens e em outros títulos como Todos os textos e Texto e interação, incluímos duas seções novas – Planejamento do texto e Revisão e reescrita –, que cumprem exatamente essa função: ajudar o aluno a planejar o seu texto e dar-lhe critérios para se avaliar, bem como avaliar os textos de outros colegas.

Assim, não há um tempo fixo para o trabalho com os gêneros. Gêneros mais complexos, como o seminário, o debate regrado, o conto, a reportagem, o artigo de opinião e muitos outros requerem mais tempo. Não é demais imaginar que alguns deles possam ser trabalhados em até um bimestre inteiro. Outros, como o bilhete, a receita, o e-mail, etc. podem ser trabalhados num tempo menor. Nesse processo, o professor é sempre a peça-chave para avaliar se os objetivos com aquele gênero foram alcançados e se deve partir para outro gênero, ou se ainda vale a pena propor a produção de mais textos daquele gênero.

Em nossas obras, procuramos dispor os gêneros numa sequência didática e temporal que privilegie a qualidade do trabalho com gêneros, e não a quantidade. Para isso, levamos em conta nossa própria experiência em sala de aula.

Lembro ainda que determinados gêneros são trabalhados mais de uma vez durante a vida escolar. É o caso da notícia, da reportagem, do debate regrado, entre outros. Portanto, o professor deve levar em conta que um aluno do 4º ano será capaz de escrever uma notícia. Contudo, o modo como produzirá a notícia no 8º ano ou no 2º ano do ensino médio será muito diferente. Logo, é preciso adequar as expectativas e levar em conta que nenhum aluno está pronto e que continuará aprendendo sempre, tanto dentro da escola quanto fora dela.

 

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