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Wednesday, 27 de October de 2021 Rss
24 Nov

Questões de múltipla escolha ou questões dissertativas? (parte I)

Questões de múltipla escolha ou questões dissertativas? (parte I)

Provavelmente você já deve ter se perguntado: um teste de múltipla escolha tem o mesmo valor de uma questão dissertativa? Uma criança do 1º ao 5º ano do ensino fundamental deve resolver questões de múltipla escolha?

Para iniciar o tema, gostaria de me reportar a um curto histórico: na década de 1970, havia uma grita geral por parte de professores e educadores em relação às questões de múltipla escolha (chamadas então de “testes”). Achava-se que eles não avaliavam bem o aluno e que a “geração das cruzinhas” estava entrando e saindo das universidades sem saber escrever bem o nome e, muitas vezes, sem entender o enunciado das questões.

Como consequência, na metade dessa década, os exames vestibulares, que até então eram todos feitos com questões de múltipla escolha, passaram a ter duas fases: a primeira na forma de testes e a segunda, com questões dissertativas.

As escolas, que historicamente têm acompanhado as tendências dos vestibulares, na maioria também aboliram as questões de múltipla escolha. Aliás, o professor que insistisse em utilizá-las era visto como displicente, preguiçoso, superficial, etc.

Essa tendência se manteve até recentemente, quando alguns exames oficiais – como o Enem, o Saeb, a Prova Brasil e o exame internacional Pisa – ganharam projeção na mídia e vital importância tanto para a vida pessoal dos alunos quanto para a avaliação da qualidade de ensino das escolas públicas e particulares.

Curiosamente, as questões de múltipla escolha, até então varridas das escolas de “ensino forte”, voltaram a aparecer em algumas provas sob a alegação de ser necessário preparar e treinar os alunos para o Enem. E isso em avaliações de todos os níveis de ensino.

Particularmente, penso que uma questão de múltipla escolha pode ter uma complexidade de operações cognitivas menor, igual ou maior do que uma questão dissertativa. Tudo depende de como ela é produzida e dos objetivos a que se presta. Sempre achei que uma questão de múltipla escolha é fácil de corrigir, mas muito difícil de criar. Por outro lado, uma questão dissertativa é fácil de criar, mas bem mais difícil de corrigir.

Geralmente, as questões de múltipla escolha sofrem menos quando o assunto abordado é mais objetivo. Em interpretação de textos ou num curso  de literatura, contudo, é difícil criar questões de múltipla escolha, pois corre-se o risco de privilegiar uma única forma de ler e analisar o texto.

Apesar das peculiaridades e limites de cada tipo de questão, não tenho preconceito em relação a nenhum deles. Acredito que lidar com os dois tipos  pode enriquecer bastante o trabalho, pois são experiências diferentes, que exigem do aluno lidar com diferentes operações.

Na última edição de Português: linguagens, que acaba de sair, introduzimos testes de múltipla escolha. Na coleção do 1º ao 5º ano, com a seção “Provinha diagnóstica”, concebida a partir dos descritores da Provinha Brasil e da Prova Brasil. Na coleção do 6º ao 9º ano, com a introdução da seção “Passando a limpo”, concebida a partir dos descritores da Prova Brasil.

Por que tomamos essa medida? Que vantagens ela pode trazer? É o assunto que vamos desenvolver no próximo post.

 

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