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Sunday, 9 de May de 2021 Rss
12 May

Saraiva: 100 anos!

Saraiva: 100 anos!

Em 2014, a Saraiva completa 100 anos! E, o mais incrível, 100 anos dedicados à produção e comercialização de livros, num país secularmente carente de educação e de livros. Se sobreviveu por tanto tempo, é porque, no mínimo, se trata de uma empresa séria, que tem à frente gente séria.

Foi em homenagem a esse momento especial, que escrevi o texto que segue, desejando à editora uma longevidade ainda maior. Esse texto integra um site que reúne vários depoimentos: http://www.livrariasaraiva.com.br/100anos/

Saraiva: uma joia de família

Tornei-me autor didático em 1990, na Atual Editora, com a publicação da coleção Português: linguagens (ensino médio). Felizmente, nossa obra fez muito sucesso e, como autor jovem, numa editora igualmente jovem, sentia-me inteiramente à vontade ao lado daquela equipe cheia de entusiasmo e de vontade de vencer.

Em 1998, quando ainda estava no prelo a coleção Português: linguagens para o ensino fundamental II, recebemos a notícia contundente de que a Editora Saraiva havia comprado a Atual. A Saraiva era o oposto da Atual: era uma editora grande, com muita tradição, principalmente na área jurídica, mas precisando de produtos e negócios novos, de maior agilidade e participação no mercado do livro didático… Enfim, a Saraiva precisava se reinventar. E foi assim que, um pouco triste, um pouco esperançoso, e sem saber no que tudo ia dar, passei a fazer parte de uma nova casa, a casa Saraiva.

Uma das experiências mais marcantes que vivi ao longo dos últimos 16 anos, desde que faço parte dessa Casa, foi um almoço de que participei, em 2005, no qual estava presente Jorge Saraiva. Ao primeiro contato, logo pude perceber que se tratava de um homem incomum. E incomum não apenas por causa da importância de seu próprio nome, ou do número de ações que tinha na empresa, mas porque, mesmo sendo tudo isso, era um homem de uma simplicidade exemplar. Em poucos minutos já conversávamos como velhos conhecidos e pude perceber a largueza de sua cultura humanística, o apreço que tinha pelos livros, pela antiga livraria que o avô abrira no entorno da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, pela bonita história de família que ele carregava e traduzia. O homem que se revelava era um homem polido e culto, enfim, um editor nato. E, nesse momento, senti a cumplicidade que pode unir um editor a um autor.

Notei que a Saraiva, para Jorge, era algo muito especial, uma espécie de legado, uma joia de família cujo valor ultrapassava os aspectos puramente materiais. O valor era também existencial, uma questão de identidade, de história pessoal e familiar.

Desde então, passei a ter uma nova dimensão da Casa a que involuntariamente havia me ligado. Senti-me grato e honrado por poder participar dessa bonita história de cem anos, voltada à produção de livros de arte, cultura e ciência. É a história de Jorge e de sua família, sim. Mas é também a minha e a sua história; a história pessoal e profissional de todos os que trabalharam e trabalham naquele espaço. Enfim, a história de todos os que fazem a história do livro no Brasil.
Parabéns, Saraiva!

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