Blog do Cereja


Sunday, 9 de May de 2021 Rss
11 Oct

Tecnologias para aprender

Tecnologias para aprender

Depois de comentarmos aqui o recente livro de Ana Elisa Ribeiro, eis uma boa oportunidade para comentar e recomendar aos professores outro livro maravilhoso, Tecnologias para aprender, da também mineira e professora da Universidade Federal de Minas, Carla Coscarelli.

tecnologias

Coscarelli é organizadora do livro, que reúne 10 capítulos, muitos dos quais escritos por seus alunos do curso de pós-graduação. Além de fazer a apresentação da obra, Coscarelli é também autora do estimulante capítulo 4, “Navegar e ler na rota do aprender”, no qual discute as diferenças entre ler em materiais impressos e ler na Internet, atividades semelhantes, mas que implicam ações distintas e específicas.

A obra contém outros capítulos primorosos, como “Letramento digital”, de Valéria Ribeiro de Castro Zacharias, e “Lugar das interfaces digitais no ensino de leitura”, de Ana Elisa Novais, que discutem o letramento digital. O primeiro deles explora a relação entre o impresso e o digital, a hipertextualidade, etc., e o segundo propõe várias atividades para a sala de aula levando em conta a interface entre o digital e o impresso.

Vários dos capítulos discutem a relação entre o verbal e o não verbal ou o digital no processo de leitura, mas é Francis Arthuso Paiva que, em “Leitura de imagens em infográficos”, discute as relações entre leitura e navegação. Ana Elisa Ribeiro, em “Leitura, escrita e tecnologia”, também discute o uso de infográficos em aulas de leitura e promove importantes reflexões sobre texto, textualidade e leitura, além de apresentar dados recentes sobre as avaliações de leitura de estudantes brasileiros, como os do INAF, do ENEM e do PISA.

Jônio M. Bethônico e Isabel Cristina A. da S. Frade, no artigo “Formação de consumidores críticos: letramento em marketing”,  abordam um tema importante para a formação das crianças, considerando o bombardeio de mensagens publicitárias a que são expostas diariamente: o da formação crítica das crianças diante dos estímulos ao consumismo. Afirmam os autores:

“Letramento em marketing é a capacidade/habilidade de compreender e analisar criticamente ‘textos’ de marketing, considerados em sua linguagem verbal, imagética, sonora, auditiva e como campo discursivo, revelando as estratégias retóricas usadas nas mensagens de caráter publicitário.” (p. 118)

Os autores apresentam várias sugestões e até um roteiro para o trabalho com a linguagem publicitária, seja na modalidade verbal e impressa, seja na modalidade televisiva.

O artigo “Processos editoriais na Wikipédia”, de Carlos D´Andrea, tomando como partida  o processo editorial e os verbetes da Wikipédia, apresenta ricas reflexões e sugestões sobre como encaminhar em sala de aula o trabalho colaborativo entre estudantes e o desenvolvimento de projetos.

Os capítulos finais ― “Infância e tecnologias”, de Suzana dos Santos Gomes, e “Jogos online no ensino-aprendizagem e da escrita”, de Andréa Lourdes Ribeiro ― aproximam-se na abordagem: o primeiro aponta o papel dos aplicativos como meio de resgatar o lúdico em atividades escolares; e o segundo, lembrando o papel pouco interativo dos atuais OEDs (objetos educacionais digitais), que vimos trabalhando inclusive nos materiais didáticos, aborda o papel que os jogos podem ter no processo de construção da leitura e da escrita. Pena que as propostas sejam ilustradas apenas com atividades voltadas para os anos iniciais do ensino fundamental I.  

Enfim, a obra é uma boa pedida a todos os professores e estudantes que queiram aprofundar seus estudos a respeito do ensino de língua portuguesa, particularmente sobre leitura e escrita, levando em conta os variados textos multimodais que circulam na sociedade e as interfaces entre o verbal, o visual, o sonoro e o digital.

Uma boa pedida! Não deixem de ler! 

    

    

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