Blog do Cereja


Wednesday, 28 de July de 2021 Rss
15 Aug

Textos multimodais – leitura e produção

Textos multimodais – leitura e produção
 

Hoje se fala bastante da necessidade de se trabalhar com textos de linguagens e suportes variados, entre eles os textos multimodais, isto é, textos que misturam diferentes linguagens, como a linguagem verbal e desenhos ou gráficos, por exemplo.

Já há algum tempo venho acompanhando o trabalho de duas pesquisadoras mineiras que têm me encantado: Ana Elisa Ribeiro e Carla Coscarelli. Elas representam a nova geração de pesquisadores mineiros que têm trabalhado com temas muito ricos e interessantes, como os gêneros digitais e a multimodalidade da linguagem.

Textos Multimodais

Ana Elisa Ribeiro publicou, recentemente,
Textos multimodais — Leitura e produção (Editora Parábola), um livro delicioso, de 126 páginas, que eu devorei em duas sentadas de uma hora cada uma. O livro é o resultado de uma pesquisa feita pela autora com seus alunos de graduação no CEFET-MG, com os quais trabalhou os conceitos de reescrita e retextualização, e com alunos do 3º ano do ensino médio, com os quais trabalhou infográficos.

Ambas as pesquisas apontam para um denominador comum: a necessidade de se trabalhar a multimodalidade na escola. Comenta a autora, a propósito do objeto de seu trabalho:

“Minha escolha recaiu sobre a infografia por vários motivos. Em primeiro lugar, porque se trata de um texto multimodal por excelência, já que seu planejamento já o constrói com, pelo menos, palavras e imagens em um leiaute (na web é possível agregar som, movimento etc.); em segundo, porque é um gênero que circula amplamente em jornais e revistas impressos, digitais e mesmo na TV, nas previsões do tempo, nas explicações e nas demonstrações de fatos, causas, efeitos, trajetórias etc.; outro aspecto relevante é que a infografia, geralmente, resulta de um planejamento interessante, executado por diversos profissionais. Mas quem nos ensina a ler infográficos?” (Op. cit., p. 31.)

Mas é necessário ensinar a ler infográficos? Sim. De acordo com a farta bibliografia apontada por Ana Elisa, os indicadores de leitura do INAF (Indicador de Analfabetismo Funcional)* apontam resultados preocupantes em relação às habilidades de leitura da população brasileira. E esses resultados pioram ainda mais quando são explorados textos multimodais.

Comenta a autora:

“Ana Maria Coelho afirma ainda que, segundo os resultados do INAF, grande parte da população brasileira parece não ter desenvolvido a habilidade de ler, compreender e interpretar mapas e outros tipos de representação gráfica, `provavelmente em decorrência da falta de familiaridade com tais documentos, e creio que é quase certo que também não compreenda sua utilidade para práticas cotidianas´.” (p. 43)

Até aqui, tudo bem. Acho que nenhum professor de leitura vai ser opor ao trabalho com infográficos. Contudo, o que mais me surpreendeu na obra de Ana Elisa foi a proposta de produção de infográficos a partir de textos verbais. Nunca tinha visto uma atividade como essa e gostei muito das propostas. Ana Elisa reproduz infográficos, compara-os e analisa-os, mostrando como seus alunos transformam determinadas informações verbais em informações visuais e gráficas. Um verdadeiro desafio! E para nós, especialistas, também!

Creio que as sugestões de Ana Elisa poderão tornar nossas aulas de língua portuguesa, em todos os níveis de ensino, muito mais ricas. Recomendo fortemente que leiam a obra e tirem proveito.

* O INAF é uma pesquisa que permite estimar os níveis de analfabetismo da população entre 15 e 64 anos.  

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