Blog do Cereja


Sunday, 9 de May de 2021 Rss
19 May

Uma aula contra o preconceito!

Uma aula contra o preconceito!

Numa escola em que trabalhei alguns anos atrás, a sala dos professores era dividida em alguns “guetos”. A uma mesa, sentavam-se os professores do Fundamental I; em outra, os professores de Exatas do ensino médio; em outra, os professores de Português e História; em outra, professores de Ensino religioso, Filosofia e Sociologia. Essa divisão era divertida e nós tínhamos total consciência dela. O que determinava a formação desses grupos? Será que eram afinidades pessoais ou afinidades de áreas de ensino ou eram simplesmente as pessoas? Não sabíamos.

A organização das pessoas em grupos ― incluindo nossos alunos e nós mesmos, como professores ― sempre me interessou muito. A oposição entre o “nós” e os “outros” está presente em tudo na vida: na competição no trabalho, nas torcidas de futebol, na oposição entre os “cults” ou “descolados” e os caretas, entre consumidores de alimentos orgânicos e consumidores de alimentos não orgânicos, entre carnívoros e vegetarianos, entre ricos e pobres, sem falar nas oposições étnicas, como judeus e árabes, por exemplo. E parece que, quando alguém resolve fazer parte do outro grupo, passa imediatamente a menosprezar as práticas do grupo do qual antes fazia parte.

Essas oposições são a origem de muitos preconceitos na sociedade e, muitas vezes, de perseguições e atos de violência, como vimos na Segunda Guerra Mundial e como vemos diariamente no futebol, seja na guerra entre torcidas, seja na discriminação com que são recebidos nossos jogadores negros e mulatos na Europa.

É na esteira dessas tensões entre o “nós” e os “outros” que foi produzido o documentário Uma lição de discriminação, que retrata uma experiência incrível da professora Annie Leblanc, que vive e leciona em St. Valerien, no Quebec, Canadá.

Filme uma lição de discriminação

Um dia Annie chega à sua sala de aula e diz que pesquisas científicas provam que as crianças menores são mais criativas e inteligentes, e as mais altas são desajeitadas e preguiçosas. Ela então divide sua turma com base nessas suposições. No dia seguinte, ela muda de ideia e faz com que se inverteam os papéis.

Surpreendentemente, alguns alunos aderem ao discurso preconceituoso da professora e tentam tirar proveito da situação. O filme mostra também outras experiências inspiradas nas ideias do pensador Henri Tajvel sobre o preconceito e faz refletir a respeito da natureza humana e de sua propensão ao agrupamento e, quem sabe, ao preconceito.

O filme é um pouco longo. Preparem-se: são 42 minutos, mas vale a pena, principalmente para educadores em geral. Contudo, recomendo fortemente aos professores que não façam uma experiência idêntica em sua escola sem que isso seja previamente planejado. Como a corda sempre quebra do lado mais fraco, temo que os professores se vejam em maus lençóis, caso essa iniciativa não tenha a concordância dos pais e da direção da escola.

Bom filme! Boa reflexão! Eis o link: http://www.youtube.com/watch?v=3Ub18BkoyvQ

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